Campanha acende Sinal Vermelho contra violência doméstica durante quarentena do coronavírus. Diante da potencialização da violência doméstica sofrida por mulheres durante o período de isolamento social, utilizado como forma de combate à pandemia do novo coronavírus, nesta quarta-feira (10) foi lançada a campanha “Sinal vermelho contra a violência doméstica”. A ação, que é uma iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com diversas entidades, permite que as vítimas façam denúncias de forma silenciosa e discreta. “Quando vimos o crescimento da violência doméstica em outros países por causa do coronavírus, sabíamos que chegaria aqui no Brasil. Por isso, começamos a pensar em uma campanha”, disse a juíza Eunice Prado, da Coordenadoria da Mulher da AMB e que participou da criação da ação.

Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), desde março, quando o isolamento social começou, o número de denúncias de violência doméstica caiu, no comparativo com o mesmo período do ano passado. Em março de 2019, foram 3.829 casos, contra 3.040 em 2020, uma redução de 21% nas denúncias. Em abril do ano passado, 3.466 mulheres denunciaram agressões, contra 2.624 este ano. A redução é de 24%. Já no mês de maio, foram 3.573 em 2019, contra 2.692 em 2020 (dados parciais, coletados pela SDS até o dia 5 de junho) , uma diminuição de 24,6% no número de casos. Para fazer a denúncia por meio da campanha, a mulher deve desenhar um “X” na mão e exibi-lo ao funcionário de alguma farmácia. A partir disto, os profissionais do estabelecimento acionam a polícia, para atendimento da mulher, que se não puder esperar no local, poderá informar seus dados aos profissionais e esperar que as autoridades compareçam à sua residência. Os balconistas e farmacêuticos não serão conduzidos à delegacia e nem, necessariamente, chamados a testemunhar.

“Pensamos em algo que fosse acessível às vítimas, porque o agressor pode quebrar o celular da mulher e deixar ela incomunicável, visto que devido ao isolamento social, ele poderá estar a acompanhando a todo instante”, declarou a juíza.

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